Você precisa estar com alguém para ser feliz? Se a resposta veio rápida, eu quero te oferecer um olhar terapêutico — e humano. Sou terapeuta e trabalho principalmente com mulheres porque, na prática, vejo como muitas foram ensinadas a confundir amor com validação. Quando isso acontece, relacionamento vira “prova de valor” — e não encontro genuíno nem felicidade no amor.
Isso não é teoria solta. É padrão repetitivo: quanto mais você tenta ser “boa o bastante”, mais se afasta de si. E quando o outro frustra suas expectativas, você não interpreta apenas “ele não ficou”; você conclui “eu não sou suficiente” e “nunca terei felicidade no amor”.
A dor cresce porque a rejeição externa vira rejeição de si mesma.
A Ferida Original: Quando você aprendeu Que Precisava Ser Amada
Desde pequenas, muitas mulheres internalizam uma crença silenciosa e poderosa: “eu preciso de alguém para me amar”. Essa narrativa aparece em contos, filmes, músicas e também em mensagens familiares mais sutis — e acaba criando uma fissura no senso de integridade e na busca pela felicidade no amor. Aos poucos, você aprende que precisa ser escolhida para se sentir inteira.
No livro O Domínio do Amor, de Don Miguel Ruiz, essa confusão entre amor e necessidade é exposta com clareza. O autor diferencia o amor que liberta do apego que exige, lembrando que o amor verdadeiro não se sustenta em cobrança, mas sim em aceitação. Ruiz resume: “o amor é aceitação”.
Traduzindo para a vida real: quando você precisa que alguém te escolha para você se escolher, a relação ganha um peso que nenhuma pessoa consegue sustentar por muito tempo. Não é real.
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O que acontece quando alguém nos machuca ou age de forma que interpretamos como injusta? Muitas vezes, não rejeitamos apenas a atitude do outro: fechamos nossa própria expressão de ser. Nos perdemos. E, pouco a pouco, passamos a temer o amor, porque a mente associa a busca pela felicidade no amor à experiência de dor.
O Medo de Amar e a Prisão do Amor Próprio
Depois de tentar ser “boa o suficiente” e falhar, algo muda internamente. O amor passa a ser percebido como território perigoso. A solução mais comum? Blindagem emocional! Menos entrega, mais tentativa de controle, menos vulnerabilidade.
Mas existe um paradoxo aqui. Ao julgar com tanta severidade, o amor próprio vira um projeto distante. E se você não consegue construir respeito e acolhimento por você mesma, como pretende amar alguém de forma madura, sem transformar a relação em busca constante por confirmação?
Lise Bourbeau, autora de As Cinco Feridas Emocionais, oferece uma lente muito útil para compreender por que certos ciclos se repetem. Ela descreve como rejeição, abandono, humilhação, traição e injustiça podem organizar escolhas afetivas adultas e a frustração ao invés de felicidade no amor.
O ponto é simples e poderoso: você não repete o que quer; você repete o que conhece.
Bourbeau explica que “máscaras” são criadas para sobreviver — e, mais tarde, a você tenta amar usando essas máscaras. O resultado costuma ser exaustivo: você se adapta demais, diminui necessidades legítimas e depois se ressente por não ser vista.
O Egoísmo Disfarçado de Amor
Aqui está uma verdade desconfortável, porém necessária: quando você entra em relacionamentos carregando necessidade, nem sempre está buscando a verdadeira felicidade no amor. Muitas vezes, está buscando preenchimento. E isso muda completamente a dinâmica.
Quando a carência está no comando, a relação vira um contrato silencioso: “eu te dou amor, você me devolve segurança”. E, sem perceber, você deseja que a outra pessoa precise de você na mesma intensidade — porque isso parece justificar sua existência e acalmar suas inseguranças.
Don Miguel Ruiz é direto ao apontar que aquilo que chamamos de amor, em muitos casos, é apego e medo. E relações sustentadas em apego e medo tendem a criar dependência emocional, vigilância, ciúme e um ciclo repetido de frustração.
A Rejeição Não Deveria Definir Você
Imagine esta situação. Você diz a alguém que o ama, e essa pessoa responde que não sente o mesmo. Isso deveria causar dor? Na teoria, não. Na prática, pode devastar.
Por quê? Porque confundimos a rejeição do outro com um veredito sobre quem somos. Se alguém não nos quer, fechamos quem somos. Mas pense com honestidade: só porque uma pessoa não te escolheu, você deixa de ter seu valor?
O afeto do outro não pode ser a medida da sua dignidade. Muito menos um fator limitante para a sua real felicidade no amor.
O problema central não é o “não” do outro. É o que você faz com esse “não” dentro de você.
A Libertação: Quando Você Para de Precisar
Existe um momento transformador no autoconhecimento que é quando você para de precisar do amor de alguém para se sentir inteira. Nesse momento, algo decisivo acontece.
- Você para de mentir para si mesma.
- Para de enxergar qualidades em pessoas que elas não sustentam na prática.
- Para de aceitar migalhas emocionais.
- E passa a distinguir alguém que quer estar com você de alguém que apenas está — por obrigação, medo ou conveniência.
Quando você entende isso, muda a pergunta. Sai de “como faço para alguém me amar?” e vai para “como eu paro de me diminuir para caber?”. A virada é aprender a sustentar seu valor sem implorar por confirmação. Se você chegou neste ponto da sua vida, parabéns! Você já deve estar entendendo o que é a genuína felicidade no amor.
Em O Quinto Compromisso, Don Miguel Ruiz faz um convite que uso muito em meus atendimentos: seja cética com as histórias que a mente conta e, ao mesmo tempo, aprenda a escutar com atenção.
Desenvolver discernimento emocional significa entender que:
- Nem todo medo é intuição; às vezes é memória emocional
- Nem toda urgência é amor; às vezes é carência pedindo alívio
E quando você para de precisar, você escolhe melhor. Para de enxergar qualidades que não estão ali, para de manter vínculos que te custam sua paz. Você passa a preferir alguém que quer estar com você! Lembre-se disso. Sua busca pela felicidade no amor vai mudar para sempre.
O Convite Final
Os ciclos só se repetem porque, por muito tempo, olhamos para fora tentando resolver por dentro. Continuamos buscando em alguém o que só pode ser consolidado em nós. E enquanto o amor próprio for apenas um conceito bonito (e não uma prática consistente), a repetição tende a continuar.
Você merece relacionamentos saudáveis. Merece ser escolhida. Mas, antes de tudo, merece escolher a si mesma — com respeito, coerência e firmeza.
Se você reconheceu seus ciclos até aqui, saiba que dá para reorganizar essa forma de amar com consistência e direção. Para saber mais sobre o meu Processo Terapêutico de Ruptura de Padrões, acesse a página de contato ou, se já tem certeza que precisa trabalhar isso em você, me envie uma mensagem diretamente no WhatsApp.
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Sou Eduardo Reis (Iista Deva), terapeuta com formação em Psicologia Transpessoal e especialização em Psicologia Analítica. Procuro integrar meus conhecimentos e apresentar meu trabalho terapêutico através deste blog. Também sou jornalista, especialista em Jornalismo Literário e mestre em Comunicação e Cultura, e aqui divido um pouco do universo da mente humana através do Processo Terapêutico de Ruptura de Padrões, do autoconhecimento, do Yoga e da espiritualidade, de modo simples, direto e prático.