Se você é uma mulher adulta, com mais de 30 anos, provavelmente já viveu pelo menos uma história em que a cabeça dizia “isso não vai dar certo”, mas o corpo insistia em voltar. Você já passou por experiências que te fizeram confundir intensidade com amor.
A conversa era ótima, a química parecia absurda, os encontros iniciais vinham cheios de sensações deliciosas… E, ao mesmo tempo, você vivia insegura, em dúvida, esperando a próxima mensagem, o próximo sumiço ou, com o tempo, a próxima briga. Importante destacar que não se trata de uma questão de gênero; casais homoafetivos também passam por isso e constantemente confundem intensidade com amor.
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Quando o coração confunde turbulência com paixão
Desde 2017, atendo mulheres entre 30 e 55 anos em processo terapêutico voltado para a ruptura de padrões repetitivos, especialmente aqueles que afetam nossos relacionamentos. Confundir intensidade com amor é muito comum. E uma das coisas que mais ouço é alguma variação de:
- “Eu sabia que não era bom pra mim, mas parecia mais forte do que eu.”
- “Quando é calmo, acho sem graça. Quando é intenso, me faz mal. Fico perdida.”
- “Por que eu sempre me envolvo com o mesmo tipo de homem?”
Quero te ajudar a entender justamente isso: como parar de confundir intensidade com amor e aprender a reconhecer, escolher e sustentar uma relação emocionalmente saudável.
Não é um convite para você aceitar uma vida morna, sem desejo, sem brilho. É, na verdade, um convite para você sair do ciclo de caos disfarçado de paixão – e abrir espaço para um amor que te acalma por dentro, em vez de te deixar em estado de alerta o tempo todo.
Intensidade não é sinônimo de profundidade
Muitas mulheres chegam ao meu processo terapêutico presas a uma visão que não passa de confundir intensidade com amor, dizendo que “se não tiver aquele impacto forte no começo, não presta”. Só que, na prática, o que chamamos de “impacto forte” costuma ter muito mais a ver com ansiedade, medo de perder (apego) e imprevisibilidade do que com conexão verdadeira.
Pense em algumas situações comuns:
- Ele é incrível quando está presente, mas some por dias sem explicar.
- Uma hora te trata como prioridade, na outra se mostra distante e frio.
- Vocês brigam feio, se afastam, depois voltam com uma reconciliação cheia de paixão.
Esse ciclo de intensidade com amor, tensão e alívio, ativa uma descarga de hormônios e neurotransmissores que o cérebro aprende a associar à paixão. Você sente o coração acelerar, o pensamento fixo, a vontade de resolver tudo logo – e, sem perceber, começa a chamar isso de amor.
Só que um relacionamento que te exige o tempo todo, que tira o seu chão com frequência, não é profundo, não é amoroso; É instável.
Profundidade aparece quando:
- você sabe com quem está lidando;
- sente que pode confiar na palavra da pessoa;
- consegue falar do que sente sem medo constante de ser punida por isso;
- há coerência entre discurso e atitude.
Quanto mais você se acostuma com histórias baseadas em “montanha-russa emocional”, mais o seu corpo estranha a calma – e mais você corre o risco de confundir paz com desinteresse.
Por que o seu corpo confunde frio na barriga com amor
Um relacionamento emocionalmente saudável não te deixa em estado de nervoso permanente. E isso é especialmente importante para mulheres adultas, que muitas vezes já carregam responsabilidades de trabalho, filhos, casa, histórico de separações ou traições anteriores.
Quando a relação que confunde intensidade com amor vira mais uma fonte de exaustão, algo está fora do lugar.
Se você cresceu em ambientes em que:
- amor vinha junto com crítica, ironia ou instabilidade;
- era preciso se esforçar muito para ser vista, ou
- havia algum tipo de violência doméstica;
- Ou ameaças de abandono (“se você fizer isso, eu vou embora”, “ninguém vai te aguentar assim”)
É provável que o seu sistema emocional associe tensão com vínculo. A pessoa que te dá paz, que não joga, que responde de forma estável ou acolhedora, pode parecer “sem graça” justamente porque não aciona as feridas antigas.
Isso não significa que a relação está errada; significa que o seu corpo está acostumado com outro padrão.
Uma pergunta que costumo propor em sessão é:
“Eu fico mais tempo em paz ou mais tempo tentando adivinhar o que está acontecendo?”
Se a resposta é que você passa boa parte dos dias:
- revisando conversas na cabeça;
- conferindo o celular esperando resposta;
- desconfiando de tudo o que ele diz;
- planejando como agir para não deixá-lo irritado;
- ou se sentindo culpada por ao refletir sobre algo que a pessoa disse.
Então, a confusão de intensidade com amor que você sente tem mais cara de alerta do que de amor propriamente dito.
Amar não impede que a gente machuque – mas maturidade define o que fazemos com isso
Outra confusão comum é imaginar que, se existe amor, não deveria haver dor. Ou o inverso: que, se doeu, é porque nunca foi amor.
A realidade é mais complexa. Pessoas que se amam podem se ferir. Só que há uma diferença enorme entre:
- falhas humanas, que são reconhecidas e reparadas;
- e comportamentos destrutivos, repetitivos, que são justificados e minimizados.
Ao longo desses anos, já acompanhei muitas histórias em que o parceiro era afetuoso em vários aspectos, mas extremamente imaturo em outros: não sabia conversar sem gritar, sumia para evitar conflitos, fugia de responsabilidade, tinha crises de ciúme, fazia promessas que nunca saíam do papel, e, em muitos casos, utilizava um discurso de vitimização de si próprio e culpabilização da parceira, gerando um certo remorso e um aprisionamento emocional. Sejamos claros aqui, uma característica clara do machismo.
Não ajuda rotular imediatamente como “vilão” – mas também não ajuda varrer tudo para baixo do tapete porque “no fundo, ele me ama”. Amor sem maturidade machuca.
E o principal indicador de maturidade não é o nível de arrependimento na hora, e sim a capacidade de mudar comportamento depois.
Pergunte-se:
- Quando ele percebe que me feriu, ele assume ou se defende? Ou, até mesmo, ele percebe?
- Ele se interessa em entender o impacto do que fez?
- Com o tempo, eu vejo mudanças práticas ou apenas discursos emocionados?
O amor saudável não é perfeito, mas é responsável. A pessoa que te ama e tem maturidade se importa com a forma como você se sente – e age para que o relacionamento seja um lugar minimamente seguro para ambos.
Não é a quantidade de amor, é o jeito de se relacionar
É comum ouvir: “Mas eu o amo demais, por isso não consigo ir embora.” Ou então: “Ele me ama, só não sabe demonstrar.”
A questão central não é quanto amor existe, e sim como esse amor se traduz na prática. Uma relação equilibrada se sustenta em habilidades, não só em sentimento:
- habilidade de conversar sem te atacar;
- habilidade de dizer “não” sem humilhar;
- habilidade de dividir responsabilidades;
- habilidade de lidar com frustração sem sumir, trair ou explodir.
Se você precisa justificar a falta de respeito com frases como as a seguir, talvez você esteja tentando remendar com explicações algo que precisaria de mudança concreta:
- “ele é assim mesmo”;
- “ele teve uma infância difícil; hoje não tem ninguém”;
- “homens são mais duros para falar de sentimentos”,
Você pode amar alguém profundamente e, ainda assim, chegar à conclusão de que a forma como ele se relaciona não é compatível com a vida que você quer ter daqui para frente – seja você solteira, divorciada, com filhos, reconstruindo a vida depois de um casamento longo.
Sentir muito não é a mesma coisa que amar com qualidade
Mulheres emocionalmente sensíveis costumam se cobrar por “sentirem demais”. O problema não é sentir intensamente; o ponto é o que acontece a partir dessas emoções.
Veja alguns exemplos de descontrole emocional que aparecem muito no processo terapêutico:
- mandar dezenas de mensagens seguidas em poucos minutos;
- vasculhar redes sociais em busca de provas;
- aceitar situações que te ferem para não “perder” a relação;
- testar o parceiro com jogos, silêncios, sumiços de propósito ou até traições;
- ter explosões de raiva ou crises de choro frequentes e depois se culpar.
Quase sempre, por trás desses comportamentos existe uma dor mais antiga, relacionada a rejeição, comparação, abandono, traição ou desvalorização. A emoção é legítima – medo, saudade, frustração, vergonha. Mas o modo como ela é descarregada costuma agravar o problema.
Uma das tarefas da terapia é justamente te ajudar a:
- identificar o que você está sentindo com mais clareza;
- aprender a desacelerar antes de agir no impulso;
- encontrar jeitos mais adultos de comunicar suas necessidades.
Amar passa pela capacidade de proteger também a relação quando você está abalada, sem deixar de se proteger.
Quando a atração aciona suas feridas em vez de mostrar compatibilidade
Aqui entramos num ponto delicado: a tal da “química”.
Você já deve ter vivido algo assim: conhece alguém, sente um encaixe imediato na conversa, o beijo e o sexo são ótimos, o corpo responde, a simples presença mexe com você… E, ainda assim, algo lá no fundo diz que não vai ser nada simples. Muitas vezes, a pessoa que mais desperta esse “choque” inicial é justamente aquela que toca nas suas feridas não resolvidas:
- Se você sempre se sentiu colocada em segundo plano, pode se sentir atraída por quem é ocupado demais, importante demais, disputado demais (pelo trabalho, amigos, família, etc.).
- Se você cresceu tentando provar que era boa o bastante, pode se interessar por quem te olha com certa superioridade, como se você tivesse que merecer cada migalha de atenção.
- Se você aprendeu a confundir ciúme com interesse, pode acreditar que a relação “fraca” é aquela em que o outro respeita seu espaço.
A compatibilidade verdadeira aparece com o tempo, no dia a dia:
- na maneira como ele reage ao seu sucesso;
- na forma como lida com seus limites;
- na disponibilidade para conversar sobre temas difíceis;
- na vontade de construir algo de forma gradual, não só empolgante.
Uma boa pergunta para você se fazer é: “Quando estou perto dele, me sinto menor ou maior? Mais confusa ou mais centrada?”
Se a resposta for “menor e confusa”, não importa o quanto o beijo e o sexo sejam bons – isso fala mais de padrão do que de destino. A atração verdadeira, profunda e amorosa pode ser uma construção a partir da honestidade, da sensibilidade, da troca e da confiança.
Você está repetindo histórias? Um pequeno mapa de auto-observação
Quero te propor um roteiro de reflexão. Leia com calma e veja com quais pontos você se identifica:
- Costuma se interessar justamente por homens emocionalmente indisponíveis (comprometidos, confusos, que não sabem o que querem, vivem cheios de problemas)?
- Sente que está sempre tentando “conquistar” espaço na vida dele?
- Fica muito tempo interpretando mensagens, tom de voz, reações?
- Já percebeu que muda seu jeito de ser para caber no que ele parece desejar?
- Tolera atitudes que nunca aceitaria em uma amiga? Agressividade na fala, por exemplo.
- Fica mais tempo angustiada do que tranquila?
Se vários desses pontos se repetem, é provável que exista um padrão funcionando no piloto automático. Isso não significa que você é fraca ou “sem amor-próprio”; significa que a sua história ensinou o seu sistema emocional a chamar esse tipo de relação de “normal” – novamente a confusão de intensidade com amor.
E é exatamente aí que o processo terapêutico entra.
Como a terapia ajuda a romper ciclos Repetitivos
Um acompanhamento terapêutico focado na ruptura de padrões repetitivos, sobretudo para mulheres adultas, não é uma conversa genérica sobre “homens ou companheiros que não prestam”. É um trabalho estruturado, que passa por etapas como:
1) Mapeamento da sua história de vínculos
Olhamos para:
- modelos de relacionamento que você viu na infância (pais, cuidadores, família);
- experiências marcantes no decorrer de sua vida (infância, adolescência e juventude);
- separações, traições, padrões que se repetem com parceiros diferentes.
2) Compreensão dos seus gatilhos emocionais
Identificamos:
- o que te deixa especialmente reativa (silêncio, mudança de tom, agressividade, abandono);
- como o seu corpo responde (insônia, taquicardia, compulsões, choro);
- quais pensamentos surgem nesses momentos (“vou ser abandonada”, “ninguém fica”, “eu sou culpada”, “eu não sou suficiente”).
3) Fortalecimento de recursos internos
Trabalhamos:
- regulação emocional (tirar o sistema nervoso do modo “pânico”);
- construção de limites possíveis na sua realidade;
- resgate de interesses, vínculos e rotinas que não giram apenas em torno da relação.
4) Desenvolvimento de critérios
Saímos do “ele gostou de mim” para o “ele é bom para a vida que eu quero construir?”.
Você aprende a olhar para:
- valores;
- postura diante de conflitos;
- coerência entre o que ele fala e o que faz;
- capacidade de escuta e empatia.
5) Preparação para decisões difíceis
Às vezes o processo levará à reconstrução da relação; em outras, à decisão de se afastar. Em qualquer cenário, o objetivo é que você se sinta menos refém da intensidade do momento e mais alinhada com o que faz sentido para você a médio e longo prazo.
Um convite para começar a romper seus padrões hoje
Se enquanto você lia este texto vieram à mente nomes, cenas e conversas específicas, isso não é coincidência. É a sua história pedindo um olhar mais profundo para essa mistura de intensidade com amor na sua vida e, talvez, um novo jeito de se relacionar consigo mesma e com a sua visão de mundo sobre o que é amar de verdade.
Quero te fazer um convite claro.
Se você:
- reconhece que costuma confundir intensidade com amor;
- sente que está cansada de repetir o mesmo roteiro afetivo, só mudando o personagem;
- ou percebe que, mesmo em um relacionamento atual, vive mais em alerta do que em paz,
Então, este é um bom momento para iniciar um processo terapêutico focado na ruptura de padrões repetitivos.
O que você pode fazer agora:
1) Assumir um compromisso com você mesma
Diga, em voz baixa ou por escrito: “Eu não preciso continuar vivendo o mesmo tipo de história. Eu posso aprender a escolher diferente.”
2) Buscar acompanhamento especializado
Procure um terapeuta com experiência em:
- vínculos afetivos;
- apego e regulação emocional;
- relacionamentos de longa duração, separações e reconstruções.
3) Levar sua história real para a primeira sessão
Chegue com exemplos específicos (você pode usar a sugestão de mapeamento acima para fazer isso):
- mensagens que te desestabilizam;
- situações em que você se percebeu se anulando;
- episódios de muita intensidade seguidos de muito vazio.
4) Definir um objetivo de trabalho ou uma “queixa principal”
Por exemplo:
- “Quero parar de me sentir atraída apenas por homens indisponíveis.”
- “Quero aprender a colocar limites sem culpa.”
- “Quero reconstruir minha forma de me relacionar depois de um casamento difícil.”
Com um caminho terapêutico bem conduzido, você não precisa mais que o amor venha mascarado de sofrimento para parecer verdadeiro. Você pode, sim, viver uma relação em que exista desejo, admiração, cumplicidade – mas em que o seu corpo não precise ficar em alerta máximo o tempo todo.
Se quiser, vamos juntos identificar padrões repetitivos, marcas do passado, mecanismos de defesa e compreender como eles influenciam seus relacionamentos no momento presente. Você também vai aprender técnicas específicas para lidar com as suas questões, nos níveis mental, emocional e também físico.
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Sou Eduardo Reis (Iista Deva), terapeuta com formação em Psicologia Transpessoal e especialização em Psicologia Analítica. Procuro integrar meus conhecimentos e apresentar meu trabalho terapêutico através deste blog. Também sou jornalista, especialista em Jornalismo Literário e mestre em Comunicação e Cultura, e aqui divido um pouco do universo da mente humana através do Processo Terapêutico de Ruptura de Padrões, do autoconhecimento, do Yoga e da espiritualidade, de modo simples, direto e prático.