Existe um tipo específico de solidão que não aparece quando você está sozinha. Ela surge quando há alguém ao seu lado — interessado, presente fisicamente, até carinhoso — mas emocionalmente distante. Falta presença emocional.
- A pessoa te deseja.
- Te elogia.
- Te procura.
Mas não se interessa, de verdade, pelo que acontece dentro de você.
- Não pergunta.
- Não sustenta.
- Não permanece quando a conversa deixa de ser confortável.
Você percebe que pode falar… mas não exatamente ser recebida. Isso cria uma sensação estranha: você está acompanhada, mas sozinha.
O padrão que aparece nas relações — e quase nunca é nomeado
No consultório, escuto esse relato com frequência de mulheres que repetem um mesmo tipo de vínculo. Relações intensas no início. Muita química. Promessa de conexão.
Mas, com o tempo, fica claro que o interesse do outro é seletivo. Ele se interessa pela sua função:
- a parceira,
- a mulher forte,
- a inteligente,
- a sexual,
- a cuidadora.
Não exatamente por você como pessoa inteira.
E, aos poucos, algo se instala. Você começa a editar o que sente, medir o que diz, sustentar a relação quase sozinha. Não por falta de amor. Mas por falta de presença emocional do outro.
Quando não há presença emocional, a relação vira aparência
Sem interesse genuíno pela sua vida interna, a relação corre o risco de virar um acordo implícito. Funciona por fora, mas é vazia por dentro.
- Há convivência.
- Há sexo.
- Há rotina.
Mas…
- Não há curiosidade verdadeira.
- Não há exploração do seu mundo emocional.
- Não há espaço para contradições, medos ou complexidade.
Você não é vista. Você é tolerada enquanto não complica.
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O que a psicologia chama de “ser vista” numa relação
Na psicologia dos relacionamentos, existe um conceito central chamado responsividade percebida do parceiro. Em termos simples, ela é a sensação de que o outro realmente se importa, compreende e responde ao que você sente.
Não é sobre concordar com tudo. É sobre receber o que você traz.
Estudos mostram que intimidade não cresce apenas quando alguém se abre. Ela cresce quando o outro escuta com presença, curiosidade e respeito.
Não como interrogatório. Mas como atitude.
É perguntar… e sustentar a resposta.
Por que intensidade não é o mesmo que interesse
Aqui muita gente se confunde — e se machuca.
- Desejo não é cuidado.
- Elogio não é profundidade.
- Urgência não é compromisso.
- Presença física não é intimidade emocional.
Existe um tipo de relação em que vocês convivem bem, socialmente e sexualmente, mas não se conhecem de verdade. Você atua um papel aceitável. O outro se relaciona com essa imagem. E você começa a sentir que precisa merecer atenção emocional.
Os sinais que quase sempre aparecem — e são ignorados
Quando há presença emocional, você percebe que o outro faz perguntas que atravessam a superfície. Lembra do que você contou. Tolera emoções difíceis sem minimizar. Se interessa pela sua história sem usar isso contra você. Também se revela — curiosidade verdadeira é via de mão dupla.
- Quando não há, o padrão costuma ser outro:
- Conversas profundas sempre voltam para ele.
- Ou para sexo.
- Ou para conflitos circulares.
Quando você toca em algo sensível, o outro se fecha, ironiza, some ou te acusa de exagero. Você começa a duvidar do que sente.
Por que isso dói tanto para quem repete esse tipo de vínculo
Ela ecoa experiências antigas — infância, relações passadas, ambientes onde emoções não tinham espaço.
A teoria do apego ajuda a entender: quando o vínculo é inseguro, proximidade vira ameaça.
- Conhecer demais implica responsabilizar-se.
- Aproximar-se demais implica risco.
Então a curiosidade desaparece. E a instabilidade passa a ser confundida com amor.
Aqui está o ponto que costuma travar tudo
Você percebe que algo está errado. Mas não consegue sair. Trocar de parceiro, muitas vezes, não resolve. O formato se repete.
Porque o problema não está apenas no outro, mas sim no padrão relacional que se ativa.
É isso que precisa ser investigado.
Como trabalho isso no processo terapêutico
No meu processo terapêutico online, o foco não é te ensinar a “se comunicar melhor”, nem te convencer a permanecer ou sair de uma relação.
O trabalho é identificar:
- por que esse tipo de vínculo se repete
- qual lugar você ocupa nessas relações
- como sua história emocional influencia suas escolhas
- e o que precisa ser interrompido para que novos caminhos sejam possíveis
Sem fórmulas prontas. Sem pressa. Com a devida profundidade que sua situação exige. Sem te empurrar para decisões que ainda não se sustentam.
Se você se reconheceu neste texto
Se, ao ler, você pensou “isso sou eu” ou sentiu um desconforto silencioso, talvez seja o momento de olhar para isso com mais profundidade.
Se quiser entender melhor como funciona o processo terapêutico e avaliar se faz sentido para você agora, me chame no WhatsApp e conversamos com calma.
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Sou Eduardo Reis (Iista Deva), terapeuta com formação em Psicologia Transpessoal e especialização em Psicologia Analítica. Procuro integrar meus conhecimentos e apresentar meu trabalho terapêutico através deste blog. Também sou jornalista, especialista em Jornalismo Literário e mestre em Comunicação e Cultura, e aqui divido um pouco do universo da mente humana através do Processo Terapêutico de Ruptura de Padrões, do autoconhecimento, do Yoga e da espiritualidade, de modo simples, direto e prático.